Deitada com a cabeça no travesseiro, me perdi nos meus pensamentos sobre tudo que aconteceu nesse final de semana.
Ter e não ter você. Essa é a situação atual, e eu definitivamente não quero isso. Eu quero você por completo. Sendo meu, como foi desde o dia 15 de agosto. Assim pela metade, não dá.
Tentei de todas as formas fazer com que você tentasse entender tudo que a gente passou e tudo que você jogou fora ao me dizer "Priscylla, não dá mais.".
A frase "Não sei qual foi sua intenção em querer vir aqui" fica martelando na minha cabeça. Você não faz ideia do quanto estou chateada com o que você chegou a me dizer. Você definitivamente me mostrou que não me conhece. Não sou o tipinho de mulher que você costumava se relacionar. Eu tenho valores. Jamais usaria do meu corpo pra tentar te convencer de algo. Sou inteligente a ponto de não precisar disso. Na verdade, eu nunca quis te convencer de nada, apenas tentei fazer com que você entendesse tudo, tudo que eu disse, que eu fiz e o que eu não cheguei a fazer. Tenho meus princípios.
Eu não estaria aqui se eu não tivesse sido tão previsível com relação a cena deste sábado. Fico lembrando e relembrando do ocorrido quase que a ponto de surtar.
É isso, lá estava eu de novo na sua frente, muita coisa pra falar, muita coisa pra ouvir, sentada no banco do carona te olhando, mas não tinha a mínima vontade (ou seria coragem?) de sair de dentro do carro. Eu não queria mais passar por isso.
Mas que diferença faz o que eu quero né?
Lá estava você como eu imaginava que estaria, sentado meio de lado cheio de conclusões prescristas, uma muralha que não sairia do lugar por nada que eu fizesse ou falasse. O que eu poderia fazer?
Levantar e sair do carro ué, assim meio que do nada, meio que contrariada, meio que chorosa com vontade de não sei o que. Aliás, com vontade de, sei sim, apertar bem forte seus ombros, te sacudir e falar:
SE TOCA, A GENTE SE GOSTA VOCÊ NÃO VÊ? PARA DE SER CAGÃO PELO MENOS UMA VEZ NA VIDA!
Ou eu decido que acabou, ou que vou mergulhar de cabeça e correr risco de quebrar o coração e os dentes da frente em milhões de pedaços, com uma história que sempre teve de tudo pra dar certo.
Mas chegou a hora de soltar a carta na manga e me desculpar por não ser boa o bastante pra você. Desculpe se eu não posso ser do tipo de mulher que precisa de colo o tempo todo. Acho que tenho personalidade demais e independência demais pra você. Isso te assusta não é mesmo? Calma, não precisa ter medo de me dizer a verdade. Não precisa sentir vergonha de dizer que estremece na minha frente e não sabe como agir. Só porque você talvez consiga ser o garanhão com as outras não tem que ser comigo também.
Aliás, eu nem gosto de você assim. Prefiro aquele você que só eu conheço e que talvez você nem lembre que tem. Hoje, eu vivo aqui e você ai. Pessoas tão ou mais apaixonantes passam pelas nossas vidas todos os dias.
Mas será que isso realmente importa? Não me interessa quantas bocas e quantos corpos você beijou e tocou nesse intervalo de tempo. Você nunca conseguirá mentir pra mim. Há escondido no seu olhar um certo brilho que delata que você também sentiu as mesmas emoções e que um pedaço meu ainda vive em você. Fui diferente a ponto de manter um lugar intacto na sua memória. Não faço ideia de como será amanhã, a única coisa que eu sei é que estamos ligados e isso, você não pode negar.
E entre uma revolta e outra, sempre acabo caindo nesse romantismo de que pessoas que se gostam uma hora ficam juntas. Tipo agora que retoquei a maquiagem só porque acho que você vai estar ali na porta de casa encostado no carro com as mãos no bolso esperando por mim. Mas não precisa ser muito inteligente pra saber que isso não vai acontecer.
E agora?