Era quase madrugada. A noite havia passado rápida demais ao seu lado, ficamos horas naquele shopping abraçados bebendo chopp, você me apresentando como a sua “quase namorada” (que eu achava graça quando essas palavras juntas saiam de sua boca) aos amigos que passavam por ali e na primeira vez que alguém conseguiu fazer com que eu comece algumas (diga-se duas) peças de comida japonesa.
Em um susto eu me encontrava ali na sua frente, a cama enorme logo atrás de mim, aqueles olhos azuis fitavam os meus castanhos escuros, e em seguida a pergunta saia desses seus lábios vermelhos “Por que demoramos tanto?”. Peguei-me com o coração entalado na garganta, eu não sabia o que responder nem o que estava sentindo, apenas sorri completamente feliz e lhe dei um beijo. Amei sem saber.
Três dias depois me vi conhecendo a sua família, a sua casa, o seu canto. Você fez com que eu fizesse parte da sua família. Lhe questionei logo em que saímos dali: “Por que assim tão de surpresa?” “Pra que você não tivesse tempo de pensar e dizer que não.”
Cinco dias depois era lançamento de um DVD, confusão tremenda, despedida, coração apertado.
Dias depois você foi embora, não pra sempre, você voltaria. Um pacote completo, com passagens aéreas. Chegadas e despedidas, assim se passaram os meses seguintes.
Há duas semanas meu celular tocou, era a sua irmã com a notícia de que você havia sofrido um acidente, que estava no hospital e precisava me ver. Chorei como uma criança doente gritando pela mãe. O medo de te perder pra sempre foi enorme.
Já no quarto do hospital, sentada ao seu lado segurando a sua mão, lhe faço uma pequena pergunta: “Por que demoramos tanto?”
Você lindo responde: "Porque fui idiota demais!"
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